segunda-feira, 21 de abril de 2014

GP da China: Como nos anos 50

(Foto: Getty Images)
Quando a Mercedes retornou ao mundo dos Grand Prix - desta vez entitulada de F1 - em  4 de julho de 1954, o que se viu foi um domínio ainda mais amplo e assustador do que a Ferrari de Alberto Ascari tinha apresentado nas duas últimas temporadas. Comandado por Juan Manuel Fangio, Karl Kling e Hans Hermann, os W196 foram soberanos naquela prova da França realizada em Reims - naquele mesmo dia a Seleção da Alemanha derrotava o rolo compressor que era a Seleção da Hungria, do lendário Ferenc Puskas, na final da Copa do Mundo na Suíça por 3 x 2 - e começariam ali um domínio que culminaria nos dois títulos mundiais de Fangio daquele ano e no seguinte. O saldo daqueles duas temporadas onde os rivais enxergavam os carros prateados apenas na largada e chegada, foram de 9 vitórias (Fangio 8 e Moss 1); 8 poles (Fangio 7 e Moss 1) e 8 melhores voltas (Fangio 5, Moss 2 e Kling 1) - lembrando que a Mercedes disputou apenas doze das 16 corridas realizadas entre 1954 e 1955.
Passados quase 60 anos, e guardando devidas proporções por causa dos carros, época e pilotos, podemos dizer que a atual Mercedes - que não é puramente alemã, devido as suas raízes inglesas da época da Brawn GP - tem feito até aqui uma temporada irretocável. Lewis Hamilton tem traduzido bem a excelente fase da equipe e dele também com poles e vitórias maiúsculas sem deixar dúvidas que o W05 é o carro do momento e as performances de Nico Rosberg, que por mais que não seja tão brilhante que seu parceiro, tem a velocidade e regularidade à seu favor que o mantém ainda na ponta da tabela do mundial com quatro pontos de vantagem sobre Lewis (79x75). Mas a com bela fase que Hamilton tem atravessado, será difícil para o filho de Keke sustente a dianteira do campeonato.
Apesar de se esperar que alguma equipe reaja a ponto de incomodá-los, a impressão que passa é de que a Mercedes está com a artilharia pronta para reagir e contra atacar os rivais. O que deixaria ainda mais aberta a possibilidade de Hamilton e Rosberg discutirem o mundial entre eles, numa verdadeira caça da lebre contra a raposa.

A corrida

Certamente a turma ficou empolgada pela magistral corrida que nos foi apresentada no Bahrein semanas atrás, e isso fez com que todos esperassem por algo igual ou melhor na corrida chinesa. Mas tirando a largada, com algumas trocas de esbarrões, onde as Williams de Massa e Bottas mais pareceram aquelas bolinhas de Pinball, a prova de Xangai foi sonolenta porque ninguém chegou próximo de Lewis Hamilton que efetuou uma corrida ainda mais tranquila do que aquela da Malásia. Nico Rosberg só conseguiu se livrar dos Red Bulls de Ricciardo e Vettel e mais a Ferrari de Alonso, na parte final quando não podia fazer mais nada para alcançar seu companheiro de equipe. Mas ao menos serviu para pudesse sustentar a dianteira do mundial.
Para a Ferrari foi um dia positivo com o inesperado - ou não - pódio de Fernando Alonso nesta etapa, uma vez que quinze dias atrás as coisas tinham beirado a catástrofe em terras barenitas. Mas o próprio Fernando havia alertado que as modificações que viriam à partir da China, dariam oportunidade de brigar pelo pódio. Uma pena que Raikkonen ainda não tenha se encontrado neste seu retorno à "Rossa", mas com a chegada da fase européia é de se esperar que ele esteja no encalço de Alonso, já que se mostrou muito confiante frente ao resultado alcançado pelo espanhol.
Na Red Bull, onde a maioria esperava que um dos carros estivesse no pódio, foi uma corrida até frustrante. Mas a o valor de Ricciardo tem mantido a equipe em alta até agora e seu ótimo ritmo tem sido motivo de bons comentários por aqueles lados, principalmente pelo fato de estar na frente de Vettel nestas últimas etapas. O tetra-campeão não tem se sentido confortável neste novo carro e sua pilotagem tem ficado muito abaixo daquilo que nós conhecemos e na China parece que ficou ainda mais evidente, apesar de ter tido problemas com desgastes de pneus. Assim, à exemplo de Kimi, a fase no Velho Continente pode ser uma boa para ele.
A Mclaren teve um final de semana para esquecer, afinal seus dois carros pouco figuraram entre os dez neste final de semana. Por outro lado, a Force India, pelo menos com Hulkenberg, esteve bem e pontuou mais um vez para eles e Sergio Perez, fazendo uma corrida de recuperação, ainda conseguiu salvar um nono lugar. Destaque mais uma vez para Dani Kvyat que vem batendo consistentemente Vergne nesta luta interna na Toro Rosso.
O que mais me impressionou foi o alto desgaste dos pneus numa corrida onde a temperatura esteve baixa desde os primeiros treinos. A farofa localizada em boa parte do circuito, lembrou aquela de várias corridas do ano passado, onde acostumamos a chamar os Pirelli de "Pneus de Farinha". Outro ponto que foi motivo de conversa é a pressa dos comissários durante o GP, que culminou no término dessa em duas voltas a menos. Um erro de informação entre a central e o cara do PSDP (Posto de Sinalização e Direção de Provas) pode ter dado nisso. É claro que pode acontecer em qualquer lugar do mundo - até mesmo aqui no Brasil, onde a equipe de sinalização e resgate é sempre elogiada pela FIA -, mas um pouco mais de preparo nestes locais onde mal existe automobilismo, viria a calhar.
Depois desta excursão por Oceania, Oriente Médio e Ásia, a F1 terá um hiato de três semanas até igressar na parte européia. Espera-se que todos apresentem melhoras significativas - em especial Red Bull, Ferrari, Mclaren e Williams - para que possam fazer frente à Mercedes. Mas visto que os carros prateados estão num nível acima, e que também levarão melhoras para esta jornada na Europa, começo a achar que não será tão fácil alcançá-los.

sábado, 19 de abril de 2014

GP da China - Classificação - 4a Etapa

Vettel deu uma dica bem humorada de como tirar a grande vantagem da Mercedes neste início de mundial, dizendo que a instalação de chicanes nas retas seria uma solução. Brincadeiras à parte, a Mercedes, especialmente com Hamilton, foi mais uma vez espetacular na classicação ao obter a quarta pole consecutiva. Lewis sobrou no Q3 e nem mesmo a aparente ameaça da Red Bull foi páreo para ele.
Aliás, essa é uma boa chance para o time dos rubro-taurino tentarem algo na prova de amanhã, isso caso ela venha a ser disputada em pista molhada. O problema é que o cara que vai à frente deles, é um exímio piloto nestas condições climáticas. O valor que Ricciardo tem mostrado até agora - é a terceira vez que larga na frente de Vettel no ano - e mais a forma indiscutível de Sebastian, pode dar algum trabalho ao piloto inglês. E não podemos nos esquecer de Nico Rosberg, que apesar de ter errado bastante na classificação, tem um belo carro nas mãos e pode muito bem oferecer um bom espetáculo partindo da quarta colocação no que se diz a respeito de duelos com os outros três ponteiros.
Fernando Alonso arrancou um bom quinto lugar, o máximo que a sua Ferrari pode proporcionar. Massa saí logo em sexto e espera-se mais uma de suas ótimas largadas para amanhã. Destaque mais que positivo - e heróico - foi a passagem de Romain Grosjean para o Q3 com a ratoeira da Lotus. Sem dúvida um trabalho louvável do piloto francês.
Acredito que será uma corrida interessante se esta for disputada sob chuva, mas a previsão é de que a corrida possa ser feita com o tempo seco e com baixa temperatura. Se for assim, e não tiver contratempos, a vitória ficará mais uma vez nas mãos de Hamilton.

Grid de largada para o Grande Prêmio da China -  4a Etapa

1) Lewis Hamilton (ING/Mercedes) 1m53s860
2) Daniel Ricciardo (AUS/RBR-Renault) 1m54s455 +0s595
3) Sebastian Vettel (ALE/RBR-Renault) 1m54s960 +1s100
4) Nico Rosberg (ALE/Mercedes) 1m55s143 +1s283
5) Fernando Alonso (ESP/Ferrari) 1m55s637 +1s777
6) Felipe Massa (BRA/Williams-Mercedes) 1m56s147 +2s287
7) Valtteri Bottas (FIN/Williams-Mercedes) 1m56s282 +2s422
8) Nico Hulkenberg (ALE/Force India-Mercedes) 1m56s366 +2s506
9) Jean-Eric Vergne (FRA/STR-Renault) 1m56s773 +2s913
10) Romain Grosjean (FRA/Lotus-Renault) 1m57s079 +3s219
11) Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari) 1m56s860
12) Jenson Button (ING/McLaren-Mercedes) 1m56s963
13) Daniil Kvyat (RUS/STR-Renault) 1m57s289
14) Adrian Sutil (ALE/Sauber-Ferrari) 1m57s393
15) Kevin Magnussen (DIN/McLaren-Mercedes) 1m57s675
16) Sergio Pérez (MEX/Force India-Mercedes) 1m58s264
17) Esteban Gutiérrez (MEX/Sauber-Ferrari) 1m58s988
18) Kamui Kobayashi (JAP/Caterham-Renault) 1m59s260
19) Jules Bianchi (FRA/Marussia-Ferrari) 1m59s326
20) Marcus Ericsson (SUE/Caterham-Renault) 2m00s646
21) Max Chilton (ING/Marussia-Ferrari) 2m00s865
22) Pastor Maldonado (VEN/Lotus-Renault) sem tempo

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Foto 322: Matra M630

Não dá para identificar nem a pista e muito menos o piloto que está ao volante do carro da lendária equipe de Marcel Chassagny, mas o destaque em si é a beleza do Matra M630-BRM.
Este carro, que competiu entre 1967 até 1969, passou pelas mãos de Jean-Pierre Jaussaud, Johnny Servoz-Gavin, Jean-Pierre Beltoise, Henri Pescarolo, Robert Mieusset, Jean Guichet e Nino Vaccarella. A melhor posição do M630 nas provas do World SportsCar Championship foi nas 24 Horas de Le Mans de 1969, quando Guichet/ Vaccarella chegaram em quinto.
Este carro ainda leva a marca da tragédia, sendo que o piloto francês Jacques Robert Weber, mais conhecido como Robby Weber, veio a morrer durante um teste quando estava ao volante do M630 em Le Mans no mês de abril.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Foto 321: Monte Carlo, 1979

A largada para o GP de Mônaco de 1979. Jody Scheckter puxando o pelotão, com Niki Lauda e Gilles Villeneuve na sua cola.
A prova foi vencida por Jody, que foi seguido por Clay Regazzoni e Carlos Reutemann. Villeneuve e Lauda não completaram a prova (Gilles teve um problema de câmbio na volta 54 e Lauda acidentou-se com Pironi na volta 21), mas o canadense aplicou um bela ultrapassagem sobre o austríaco ainda nas primeiras voltas na freada para a St. Devote.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Foto 320: Dutch

Jackie Stewart duelando com Graham Hill durante o GP da Holanda de 1968, prova marcou a primeira conquista de Stewart pela Matra. Ele repetiria a dose em Nurburgring e em Watkins Glen.
Graham Hill abandonou na volta 81 após um erro. Jean Pierre Beltoise, com a outra Matra, garantiu a dobradinha para a marca francesa e Pedro Rodriguez, com a BRM, ficou em terceiro.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

F1 Teste: Bahrein - 2º Dia

Lewis Hamilton: “Foi um longo dia, correndo volta após volta para analisar os pneus, mas pilotar um F1 nunca é chato. Claro, por ser um teste de pneus, não descobrimos nada em particular no sentido de melhorar o carro, mas foi útil para a Pirelli, portanto é útil para nós a longo prazo
Eles apenas me deram conjuntos diferentes, e eu lhes disse como cada um funcionava. O plano era só completar o máximo de voltas que pudéssemos. Os tempos não significam nada, cada um teve seu próprio programa a ser executado.”
 
Daniel Ricciardo: “Tivemos alguns problemas nesta manhã, o que limitou nosso trabalho, mas à tarde foi muito melhor. Recolhemos uma grande quantidade de dados para os caras da aerodinâmica, por isso não fizemos verdadeiros testes de desempenho. Ao final do dia, andamos com pneus médios e testamos algumas mudanças, como ontem. Então, não foi realmente um dia para ser rápido, mas para as pessoas na fábrica e para os caras por trás dos laptops.”




Jules Bianchi: "Foi um dia muito positivo, estou satisfeito em ter conseguido tanta milhagem  a segunda maior entre todos os times. O que aprendemos será útil agora e no futuro, mas estou esperançoso de ver um bom resultado já na China, pois estamos fazendo pequenas mudanças e dando passos importantes. Temos de continuar avançando assim."

Giedo van der Garde: “Em suma, foi um dia positivo. Infelizmente, só pudemos completar algumas voltas antes da pausa para o almoço. No entanto, no período da tarde, pudemos começar nosso programa de testes, e acho que fizemos muito trabalho hoje. Para mim, foi bom estar de volta ao carro. Tive a chance de pilotá-lo durante todo o dia, em comparação com as 20 voltas que fiz no treino livre 1 na última sexta-feira. Estou satisfeito com onde estamos agora. Além disso, acho que o desempenho em long runs também foi muito bom. Estou feliz por ter a chance de guiar o C33 de novo, e estou ansioso para voltar ao carro para o TL1 na China.”

Marcus Ericsson: “Foi uma sessão boa pela manhã, trabalhando em um programa que começou com avaliação aerodinâmica e, em seguida, passou por alguns trabalhos sobre o sistema de freios, o que nos deu muitas informações interessantes. Realmente não tivemos nenhum problema, por isso fomos capazes de realizar a maior parte do programa pela manhã. Na parte da tarde, fizemos alguns testes na asa traseira, com mais trabalho aerodinâmico, e depois fizemos long runs, mas em minha 13ª saída tivemos um problema que fez o carro parar na curva oito. Identificamos um problema elétrico no ERS, mas não tivemos tempo suficiente para corrigi-lo e sair de novo, então foi o fim do teste. Mesmo com este problema, todos estão razoavelmente satisfeitos com o que conseguimos. Temos muito mais informações para trabalhar na fábrica antes da China.”

Felipe Nasr: “Hoje dedicamos nosso dia ao trabalho com os pneus Pirelli da próxima temporada. Trabalhamos com muitos compostos novos, e foi mais um dia produtivo para que eu aprendesse os processos e a sensação de pilotar um carro de F1. Fazer um teste de pneus significa que você pode leva-los ao extremo, o que foi uma boa experiência. Também experimentei as diferenças entre cada tipo de composto e como eles afetam o carro e o equilíbrio. Guiar um F1 sem usar os cobertores térmicos nos pneus foi uma das coisas mais interessantes, já que é muito difícil levá-los até a temperatura ideal, mesmo no calor do Bahrein, o que será ainda mais desafiador em pistas como Silverstone ou Spa-Francorchamps.”

Romain Grosjean: “Estávamos esperando por um bom dia de testes hoje, com um programa baseado no trabalho aerodinâmico. Infelizmente, lutamos com problemas na unidade de força desde o início, mesmo quando o carro foi capaz de correr. Felizmente, conseguimos realizar alguns trabalhos aerodinâmicos, então coletamos alguns dados úteis. No entanto, ficou muito aquém do que queríamos alcançar. Vamos analisar os dados coletados para nos ajudar a obter uma melhor compreensão do carro, para que possamos avançar na China.”
Resultado  
Bahrein - Circuito de Sakhir
Testes de Temporada  

Fórmula-1 - Dia 2


Pos  Piloto               Equipe                  Tempo       Dif   Voltas
 1.  Lewis Hamilton       Mercedes              1m34.136s           118
 2.  Jean-Eric Vergne     Toro Rosso-Renault    1m35.557s  +1.421s  63
 3.  Kevin Magnussen      McLaren-Mercedes      1m36.203s  +2.067s  26
 4.  Sergio Perez         Force India-Mercedes  1m36.586s  +2.450s  62
 5.  Daniel Ricciardo     Red Bull-Renault      1m37.310s  +3.174s  65
 6.  Jules Bianchi        Marussia-Ferrari      1m37.316s  +3.180s  93
 7.  Giedo van der Garde  Sauber-Ferrari        1m37.623s  +3.487s  77
 8.  Fernando Alonso      Ferrari               1m37.912s  +3.776s  12
 9.  Marcus Ericsson      Caterham-Renault      1m39.263s  +5.127s  66
10.  Felipe Nasr          Williams-Mercedes     1m39.879s  +5.743s  64
11.  Romain Grosjean      Lotus-Renault         1m43.732s  +9.596s  16

Foto 319: Inspiração

Aí está a imagem que inspirou Pastor Maldonado para dar aquela "entrada"no Sauber de Esteban Gutierrez no domingo, durante o GP do Bahrein. 

terça-feira, 8 de abril de 2014

F1 Teste: Bahrein - 1º Dia

Nico Rosberg: "O programa técnico de hoje buscou fazer os pneus funcionarem um pouco melhor. Com a Pirelli, é sempre um desafio. Você nunca para de aprender como lidar melhor com os pneus e como tirar o máximo de proveito deles.
Por isso, hoje tentamos buscar uma melhor maneira de frear. Eu ainda não estou 100% satisfeito com os freios e nem com o acerto geral do carro. Também trabalhamos em outras áreas, como a eletrônica, que é algo que tem feito grande diferença neste ano" 



Nico Hulkenberg andou próximo de Rosberg neste primeiro dia de testes ficando a três décimos do líder do mundial

Apesar dos problemas durante o fim de semana nesta mesma pista, Fernando Alonso colocou a Ferrari na terceira colocação quase que um segundo atrás de Rosberg
Kevin Magnussen foi o quarto mais rápido, onde ele aproveitou o dia pra testar novas peças para a suspensão do MP4/29


Valtteri Bottas: “No geral, foi um bom dia, já que conseguimos completar o programa conforme o planejado. Aí nós trabalhamos no acerto e fizemos alguns experimentos, então tomara que isso ajude nas próximas corridas. Depois foi a vez de testar alguns novos componentes aerodinâmicos com resultados positivos. As condições da pista estavam diferentes da corrida, mas até melhores para testar, já que tinha menos vento”.

Max Chilton: “Nós tivemos um dia positivo, conseguimos realizar todos os testes que precisávamos e melhoramos algumas coisas. Tivemos um problema hidráulico, que nos fez parar por uns minutos. A equipe trabalhou rápido e, pouco depois, já estávamos de volta à pista. Estou satisfeito com o tempo obtido e sinto que podemos ser ainda mais rápidos”.

Daniel Ricciardo: “Perdemos um pouco de tempo esta manhã, mas compensamos isso de tarde. Acho que fiquei no carro por algumas boas horas. Não fizemos nenhuma saída de performance, mas fizemos alguns long-runs de tarde com três mudanças de acerto e tivemos um bom feedback disso. Acho que no último fim de semana nós tivemos um pouco de dificuldade no primeiro e no terceiro treino, nas sessões durante o dia no calor, mas o carro pareceu muito melhor hoje nessas condições, particularmente nesses long-runs. Ainda estamos um pouco atrás, mas estamos aparando as arestas e tenho certeza que ao longo deste teste e na China, nós vamos chegar mais perto. Por ora, no entanto, vamos pegar cada pouquinho que pudermos. Estamos aprendendo e progredindo”.

Sergey Sirotkin: “Tudo foi ótimo hoje. Foi a minha primeira vez no Bahrein e eu gostei da pista. Em comparação com o que eu estou acostumado a guiar na World Series, tem muito mais potência no motor e mais aceleração com o Sauber C33. Cometi alguns erros na minha volta rápida nesta manhã, então provavelmente perdi 1s. Mas, no geral, foi um bom início de sessão. Durante a tarde nós tivemos algumas dificuldades com a minha sapatilha. Ela era muito pequena, então doía bastante quando eu estava freando. Quando mudamos de sapatilha, ainda não ficou bom e era difícil guiar. Não foi fácil, mas eu estou feliz por termos completado os 300 km. Sabemos que tem muito potencial para melhora e devemos ficar felizes com isso”.

Robin Frijns: “Estou feliz que conseguimos completar 63 voltas esta manhã, mas é, obviamente, uma pena que não pudemos melhorar isso de tarde, especialmente por que eu me senti bem no carro e estava aproveitando. Quando terminamos a última saída antes do almoço, nós encontramos um vazamento no sistema hidráulico, o que significa que os rapazes tiveram que remover o assoalho e o câmbio, e com o tempo que levaria para o carro ser remontado, nós decidimos encerrar a sessão mais cedo para que pudéssemos nos preparar para o dia dois”

Pastor Maldonado: “Essa manhã o programa estava focado em trabalho na aerodinâmica, e conseguimos atingir muito, mesmo com quantidade limitada de voltas. À tarde o plano era trabalhar no desempenho, avaliar ajustes e partes novas, mas não foi possível devido a problemas na unidade de potência. Precisamos checar e ver o que aconteceu. Testes servem para isso, ainda que nós tivéssemos programado dar mais voltas. Espero que Romain possa continuar o trabalho amanhã e ter um dia positive”.

Daniil Kvyat: “Mesmo que você não veja olhando para a tela, hoje foi um dia produtivo onde aprendemos muito. Foi muito útil para mim, me dando muitas voltas fora do ambiente de corrida. Também aprendemos algo sobre sobre o motivo de nosso ritmo não ser tão forte como esperamos na corrida do domingo. Acho que esses testes no meio da temporada são muito válidos não só para os times, mas também para pilotos como eu que precisam ganhar experiência”.
Resultado  
Bahrein - Circuito de Sakhir
Testes de Temporada  

Fórmula-1 - Dia 1
 
Pos  Piloto             Equipe                  Tempo       Dif   Voltas
 1.  Nico Rosberg       Mercedes              1m35.697s           121
 2.  Nico Hulkenberg    Force India-Mercedes  1m36.064s  +0.367s  69
 3.  Fernando Alonso    Ferrari               1m36.626s  +0.929s  69
 4.  Kevin Magnussen    McLaren-Mercedes      1m36.634s  +0.937s  102
 5.  Valtteri Bottas    Williams-Mercedes     1m37.305s  +1.608s  28
 6.  Max Chilton        Marrusia-Ferrari      1m37.678s  +1.981s  60
 7.  Daniel Ricciardo   Red Bull-Renault      1m38.326s  +2.629s  91
 8.  Sergey Sirotkin    Sauber-Ferrari        1m39.023s  +3.326s  76
 9.  Robin Frijns       Caterham-Renault      1m40.027s  +4.330s  63
10.  Pastor Maldonado   Lotus-Renault         1m40.183s  +4.486s  16
11.  Daniil Kvyat       Toro Rosso-Renault    1m40.452s  +4.755s  67
 

GP do Bahrein: Assim que tem que ser


(Foto: Getty Images)

A Mercedes deu uma lição nas outras equipes. Não apenas em relação ao seu desempenho, que foi nitidamente superior aos demais me fazendo lembrar dos tempos da Williams no distante biênio 1992/93, mas sim com relação a disputa direta e aberta entre Hamilton e Rosberg pela vitória em Sakhir.
A própria cúpula da Mercedes já havia acenado para esta possibilidade caso seus dois pilotos se encontrassem na pista numa luta direta, independentemente por qual fosse a posição em questão. E isso foi reforçado com as criticas feitas por Niki Lauda após o episódio da Williams para com os seus dois pilotos na Malásia. E o que vimos na pista barenita foi algo digno de automobilismo puro, com apenas os pilotos a cuidarem de seus equipamentos e se entregando numa luta direta pela posição de honra.
Lewis Hamilton e Nico Rosberg se conhecem desde os tempos do kart, onde foram, inclusive, companheiros de equipe. Talvez seja a dupla que mais conhecem um ao outro, sabendo exatamente as qualidades e defeitos de cada um. Foi importante observar a maturidade de Lewis nesta disputa, principalmente em momentos em que os dois estiveram próximos de um acidente que poderia muito bem limar ambos da prova. Por outro lado, a vontade de Nico Rosberg em mostrar que é um piloto que não deve ser subestimado em nenhum momento e que está, sim, na batalha pelo título desta temporada.
O mais legal de tudo será observar o quanto que a Mercedes terá trabalho em segurar o ímpeto de seus dois jovens – e experientes – pilotos durante esta temporada, onde está florescendo a grande chance da equipe da estrela de três pontas retornar ao topo da categoria após 60 anos do seu triunfal retorno à F1 em 1954.

A corrida
(Foto: Reuters)

Descontando o fato de a Mercedes ter feito a sua corrida particular, deixando que Lewis e Rosberg resolvessem quem sairia vencedor, esta foi surpreendentemente positiva, principalmente por ser uma pista que normalmente não oferece grandes provas. E esta, de fato, foi a melhor da história deste GP do Bahrein que é disputado desde 2004.
A Williams esteve em boa performance nesta corrida, principalmente devido a ótima classificação de Bottas no sábado e a largada – no melhor estilo Gilles Villeneuve – de Felipe Massa, que saiu de sétimo para ganhar uma terceira posição no virar da segunda curva. Apesar da presença perigosa dos Force India de Hulkenberg e Perez, os Williams estiveram próximos de beliscarem um pódio com um dos seus pilotos. Uma pena que a entrada do Safety Car para a retirada dos destroços e do carro de Gutierrez, tenha quebrado a estratégia deles jogando-os para o meio do Top Ten. Mas foi legal ver, também, que após o episódio de Sepang a equipe não interferiu nos breves duelos que Massa e Bottas tiveram nessa corrida, deixando-os batalhar por conta própria. Num todo, foi bom ver a equipe do Tio Frank andando entre os primeiros após alguns anos.
A Force India com seus dois pilotos foram os grandes nomes do dia em Sakhir. Fizeram de gato e sapato a concorrência – em especial os Ferraris, passando os carros vermelhos do jeito que queriam – e conseguiram posicionar se posicionar em terceiro (Perez) e em quinto (Hulkenberg). Este último podia ter brigado fortemente pelo pódio, caso seu carro não tivesse perdido performance nas últimas voltas, possibilitando a ultrapassagem de Ricciardo.
A Red Bull sofreu problemas em retas, problema este que foi alertado por Vettel, mas o RB10 parece ter achado um pouco de downforce para melhor fazer as curvas, fato que tem sido – e será – o grande desafio do ano para os engenheiros. Caso acerte este problema nas retas, que talvez isto esteja ligado principalmente ao motor Renault, será um carro páreo para a Mercedes na parte européia. Sebastian mais uma vez sofreu com o ímpeto de Ricciardo, que peitou o tetra-campeão do mundo sem nenhuma cerimônia. O momento em que Vettel teve um pedido da equipe para que deixasse Daniel passá-lo, talvez tenha tirado algumas gargalhadas de Mark Webber, que agora concentra as suas forças para a disputa do Mundial de Endurance a serviço da Porsche.
A McLaren não fez nada de especial nesta prova, assim como havia sido em Sepang. Aquele brilharete, comandado por Magnussen em Melbourne, ficou pelo caminho e ao que parece a equipe de Ron Dennis terá que remar bastante para tentar algo mais nas corridas seguintes. Os seus dois carros não chegaram ao final da corrida.
A Ferrari teve um dia de cão em Sakhir: já fazia um bom tempo que não víamos os carros vermelhos levar tanta porrada dos adversários, como nesta corrida. Enquanto que Fernando Alonso levava ultrapassagem até da sombra das Force India, Kimi Raikkonen sofria pressões de Williams, Red Bull e em algum momento, teve que duelar com a... Lotus de Pastor Maldonado. Fernando teve alguns problemas relacionados à potência do seu carro já na classificação, e que voltou a se manifestar durante a corrida e isso também pode ter acontecido com Raikkonen. Os dois Ferraris tiveram uma exibição pífia em Sakhir e a cara de Luca De Montezemolo, ao ver seus dois carros serem ultrapassados facilmente, não foi das melhores. Não é a toa que talvez o pau de macarrão em Maranello comerá a solta por aqueles lados.
Além de ter sido uma corrida maravilhosa em termos de disputas, não posso deixar de destacar como foi bom ver as equipes deixarem seus pilotos disputarem as posições diretamente sem nenhuma interferência mais forte, que coibisse o tal ato. A única recomendação que pôde ser ouvida – e que o normal – é para que eles trouxessem os carros inteiros. Acho que os episódios passados serviram de lição para que estas equipes pensassem um pouco com relação a esta história de jogo de equipe. Não tenho nada contra a esta situação. Até acho que, se caso algum dos dois ainda tenha chances de conquistar um campeonato, ou até mesmo o da frente esteja numa condição bem abaixo do seu parceiro, acredito que isto deva ser feito, mas que seja conversado antes de cada corrida. Certamente, no caso de Lewis e Rosberg, ambos dêem ter conversado muito sobre a possibilidade de um duelo e o que se viu foi uma das melhores disputas pela liderança nos últimos tempos da categoria. Cabe a equipe apenas recomendar aos seus pilotos que cuidem dos carros, e o resto que eles resolvam na pista.
O que aconteceu na pista de Sakhir servirá de lição para o resto deste campeonato e para os outros que ainda virão pelo resto desta década. E quem ganhou com isso fomos nós, os fãs, e a própria F1.
O GP de número 900 não podia ter sido melhor. Apesar do circuito...  

sábado, 5 de abril de 2014

Pole Lap: Nico Rosberg, Sakhir 2014

Mudou o piloto, mas não o carro. Dessa vez foi Nico Rosberg quem cravou a pole no Bahrein - a sua quinta pole na carreira, igualando a marca de seu pai Keke.
Uma volta limpa, sem nenhuma correção brusca. Sem sustos. O W05, de fato, é um belo carro.

GP do Bahrein - Classificação - 3ª Etapa

(Foto: Reuters)
Ora, ora... enfim um treino de classificação sem chuva. Também pudera: se chovesse num lugar onde o deserto é reinante, podíamos considerar de que as coisas estariam de cabeça para baixo neste mundo. De toda forma foi uma boa para que víssemos o quanto que a Mercedes está um degrau e meio acima de qualquer outra equipe nesta atual F1. Impressionante o passo em que Rosberg e Hamilton ditaram desde o primeiro treino livre de ontem, até a classificação de hoje na noite barenita: Nico enfiou dois décimos em Lewis, enquanto que Ricciardo - que foi terceiro na tabela geral - ficou oito décimos atrás, sendo o único a andar no mesmo segundo dos prateados. Mas como o australiano perderia dez posições como punição, ele devia - e fez - a sua parte em colocar o Red Bull num ótimo lugar para minimizar o estrago dessa perda de posições e largará em 13º.
Impressionante, ao mesmo nível do australiano, foi ver Bottas colocando o seu Williams em quarto suplantando Massa por dois décimos e dando uma resposta a toda a polêmica de semana passada em Sepang. Resta a Felipe, que teve um erro na sua última tentativa, fazer uma de suas famosas largada foguete para conseguir se aproximar o mais rápido de Valtteri. Outro bom desempenho foi o de Perez que passou para o Q3 e conseguiu um ótimo quinto lugar (agora quarto), botando tempo no badalado Hulkenberg que ficou pelo Q2. Sem dúvida um dos destaques dessa classificação. ]
A Mclaren voltou a posicionar os seus dois carros entre os dez, com Button em quinto e Magnussen em oitavo. Bom treino - diria ótimo - de Kimi Raikkonen que superou Fernando Alonso pela primeira vez no ano, colocando um diferença de respeito entre os dois.
Além de Ricciardo, que sairá em 13º, a Red Bull teve uma má jornada com Vettel que ficou pelo caminho já no Q2 ao classificar-se em 11º. Segundo Sebastian, algum problema no carro, relacionado a uma escapada ainda no terceiro treino livre da manhã, pode ter danificado o seu RB10 a ponto de não conseguir um bom desempenho na classificação.  

O que esperar da corrida?: Não devemos esperar nada mais que um duelo interno da Mercedes entre Rosberg e Hamilton. Isso se o piloto alemão se manter à frente do inglês. Mas mesmo assim acredito em algo mais ferrenho entre os dois, mesmo que Rosberg fique atrás de Lewis.
Do terceiro lugar para trás, a disputa deve ser boa pela "posição de honra": tanto a Williams de Bottas, quanto a Force India de Perez estão num bom nível, mas a presença de Button, Raikkonen, a possibilidade de uma boa largada de Massa, e mais Magnussen, pode esquentar e tornar imprevisível esse duelo pelo lugar restante no pódio (lembrando que Mclaren e Williams tiveram um desempenho muito próximo em Sepang). Não creio que Fernando Alonso tenha vida longa na corrida, devido ao problema que ele alertou sobre a perda de velocidade do carro, que pode ser muito algo no motor ou parte de recuperação de energia. Caso continue na prova, a presença de Vettel e Hulkenberg dará trabalho ao espanhol.
Falando em Sebastian, este pareceu tranquilo após ter falhado no Q2 e tudo indica que ele tem um jogo pneus extra para prova, o que pode ser uma boa principalmente na parte final da corrida podendo arriscar um pouco na conquista por posições.

Grid de largada para o Grande Prêmio do Bahrein - 3ª Etapa



Pos Piloto                Equipe                 Tempo    Dif  
 1. Nico Rosberg          Mercedes             1m33.185s
 2. Lewis Hamilton        Mercedes             1m33.464s  +0.279s
 3. Valtteri Bottas       Williams-Mercedes    1m34.247s  +1.062s
 4. Sergio Perez          Force India-Mercedes 1m34.346s  +1.161s
 5. Kimi Raikkonen        Ferrari              1m34.368s  +1.183s
 6. Jenson Button         McLaren-Mercedes     1m34.387s  +1.202s
 7. Felipe Massa          Williams-Mercedes    1m34.511s  +1.326s
 8. Kevin Magnussen       McLaren-Mercedes     1m34.712s  +1.527s
 9. Fernando Alonso       Ferrari              1m34.992s  +1.807s
10. Sebastian Vettel      Red Bull-Renault     1m34.985s  +1.277s
11. Nico Hulkenberg       Force India-Mercedes 1m35.116s  +1.408s
12. Daniil Kvyat          Toro Rosso-Renault   1m35.145s  +1.437s
13. Daniel Ricciardo***   Red Bull-Renault     1m34.051s  +0.866s
14. Jean-Eric Vergne      Toro Rosso-Renault   1m35.286s  +1.578s
15. Esteban Gutierrez     Sauber-Ferrari       1m35.891s  +2.183s
16. Romain Grosjean       Lotus-Renault        1m35.908s  +2.200s
17. Pastor Maldonado      Lotus-Renault        1m36.663s  +1.789s
18. Adrian Sutil          Sauber-Ferrari       1m36.840s  +1.966s
19. Kamui Kobayashi       Caterham-Renault     1m37.085s  +2.211s
20. Jules Bianchi         Marussia-Ferrari     1m37.310s  +2.436s
21. Marcus Ericsson       Caterham-Renault     1m37.875s  +3.001s
22. Max Chilton           Marussia-Ferrari     1m37.913s  +3.039s